[Continuação...]
- As lágrimas escorriam pela sua bochecha e pingavam na roupa da garota. Sem prestar muita atenção ao redor, não percebeu que um vulto passou pela janela atrás de si. Quando virou-se instintivamente, o homem já estava atrás dela e segurava-a pelo pescoço. Ele disse somente uma coisa: “Você devia ter fugido.”
- A mulher sentiu a força do braço do homem em seu pescoço. Uma pressão que nunca havia sentido e que não queria nunca mais vivenciar. Arrependeu-se de ter ficado ali, completamente desarmada, enquanto o assassino rondava o local. Após poucos segundos de dor e falta de ar, perdeu completamente os sentidos.
- Filha, espere que vou pegar um copo de água para você. Você está muito assustada.
Arina permaneceu imóvel. A cabeça e as costas doíam. Havia sentido o forte golpe na nuca e o solo de pedras que arranhou suas costas quando caiu. Aqueles pesadelos já eram rotina e a clareza com que aconteciam faziam com que Arina pudesse imaginar que era realidade. Já havia tentado diversos chás e fórmulas para tentar se curar, mas nada havia funcionado. Mesmo sonhando todas as noites, nunca havia se sentindo tão imersa naquela realidade.
Seu pai voltou com a água e sentou-se novamente ao seu lado. Sem hesitar, continuou a contar a história.
- Quando acordou estava com um capuz em sua cabeça, algo colado em sua boca e suas mãos e pernas estavam amarradas. Não conseguia se mexer e o capuz a sufocava. Ouvia um barulho estranho próximo de si, mas sem poder ver, simplesmente imaginava o pior. Sentia a pá penetrar cada vez mais fundo no solo e o cheiro de terra úmida aguçava seus sentidos. O golpe que havia levado na nuca a deixou desmaiada e com a queda suas costas ardiam. Precisava sair dali.
- De repente o barulho parou. A pergunta: “Está fundo o suficiente?” lhe veio à mente, mas foi involuntário! Ela não queria saber, não queria nem imaginar aquilo, mas o pânico a dominava e a impedia de pensar com clareza!
Arina terminou de tomar a água e respirou fundo. Era como se o capuz a sufocasse, mesmo estando ali acordada. Passou a mão nos punhos e lembrou-se da sensação das cordas serrilhando a pele suave da mulher.
- O homem a arrastou pelas pernas até que caísse no buraco. A dor das costas se espalhou por todo o corpo e por mais que tentasse se mexer, as amarras continuavam bem presas. Sentiu que não havia mais chance alguma. Sua hora havia chegado.
- O peso do solo pressionou seus pés contra o pedrisco e após longos minutos, sentiu a mesma força sobre seu rosto. Cada pá parecia carregar toneladas de solo, que se espalhavam sobre seu corpo a impedindo de se mover. O capuz permitia que respirasse muito pouco e não sabia até quando conseguiria resistir. Mas pra que tentaria viver naquela situação?
- Estava sob a terra. Fechou os olhos e permaneceu imóvel. Respirava com imensa dificuldade, lutando por cada minúscula molécula de oxigênio. Seus pulmões não conseguiam se mover com o peso do solo sobre si e o ruído surdo da terra invadia seus ouvidos. Onde estava? Perdia os sentidos lentamente... tudo girava.
Arina deitou-se novamente e colocou as mãos sobre a barriga. Respirou com força, como se o solo também pressionasse seus pulmões. De repente respirou com força e gemeu aliviada sentindo o ar puro em seu sangue.
- O peso desapareceu. Ela abriu os olhos e havia outro homem olhando para ela. Não o reconheceu e não se lembrava de mais nada.
O pai olhou assustado para a filha e perguntou:
- Ela saiu do buraco?
Arina balançou a cabeça e sorriu.
- Sim. Um homem a salvou. Ela está viva, mas não sabe mais quem é ou o que já foi. Tudo que sente é que precisa encontrar alguém, mas não sabe o porquê ou quem.
O pai balançou a cabeça para os lados e olhou preocupado para a filha. Já havia visto aquele olhar antes e não queria que tudo começasse novamente.
- Você não quer ir atrás dela, não é? – perguntou ele.
Arina simplesmente balançou a cabeça afirmativamente e disse:
- Preciso ajudá-la a encontrar este homem.
- As lágrimas escorriam pela sua bochecha e pingavam na roupa da garota. Sem prestar muita atenção ao redor, não percebeu que um vulto passou pela janela atrás de si. Quando virou-se instintivamente, o homem já estava atrás dela e segurava-a pelo pescoço. Ele disse somente uma coisa: “Você devia ter fugido.”
- A mulher sentiu a força do braço do homem em seu pescoço. Uma pressão que nunca havia sentido e que não queria nunca mais vivenciar. Arrependeu-se de ter ficado ali, completamente desarmada, enquanto o assassino rondava o local. Após poucos segundos de dor e falta de ar, perdeu completamente os sentidos.
- Filha, espere que vou pegar um copo de água para você. Você está muito assustada.
Arina permaneceu imóvel. A cabeça e as costas doíam. Havia sentido o forte golpe na nuca e o solo de pedras que arranhou suas costas quando caiu. Aqueles pesadelos já eram rotina e a clareza com que aconteciam faziam com que Arina pudesse imaginar que era realidade. Já havia tentado diversos chás e fórmulas para tentar se curar, mas nada havia funcionado. Mesmo sonhando todas as noites, nunca havia se sentindo tão imersa naquela realidade.
Seu pai voltou com a água e sentou-se novamente ao seu lado. Sem hesitar, continuou a contar a história.
- Quando acordou estava com um capuz em sua cabeça, algo colado em sua boca e suas mãos e pernas estavam amarradas. Não conseguia se mexer e o capuz a sufocava. Ouvia um barulho estranho próximo de si, mas sem poder ver, simplesmente imaginava o pior. Sentia a pá penetrar cada vez mais fundo no solo e o cheiro de terra úmida aguçava seus sentidos. O golpe que havia levado na nuca a deixou desmaiada e com a queda suas costas ardiam. Precisava sair dali.
- De repente o barulho parou. A pergunta: “Está fundo o suficiente?” lhe veio à mente, mas foi involuntário! Ela não queria saber, não queria nem imaginar aquilo, mas o pânico a dominava e a impedia de pensar com clareza!
Arina terminou de tomar a água e respirou fundo. Era como se o capuz a sufocasse, mesmo estando ali acordada. Passou a mão nos punhos e lembrou-se da sensação das cordas serrilhando a pele suave da mulher.
- O homem a arrastou pelas pernas até que caísse no buraco. A dor das costas se espalhou por todo o corpo e por mais que tentasse se mexer, as amarras continuavam bem presas. Sentiu que não havia mais chance alguma. Sua hora havia chegado.
- O peso do solo pressionou seus pés contra o pedrisco e após longos minutos, sentiu a mesma força sobre seu rosto. Cada pá parecia carregar toneladas de solo, que se espalhavam sobre seu corpo a impedindo de se mover. O capuz permitia que respirasse muito pouco e não sabia até quando conseguiria resistir. Mas pra que tentaria viver naquela situação?
- Estava sob a terra. Fechou os olhos e permaneceu imóvel. Respirava com imensa dificuldade, lutando por cada minúscula molécula de oxigênio. Seus pulmões não conseguiam se mover com o peso do solo sobre si e o ruído surdo da terra invadia seus ouvidos. Onde estava? Perdia os sentidos lentamente... tudo girava.
Arina deitou-se novamente e colocou as mãos sobre a barriga. Respirou com força, como se o solo também pressionasse seus pulmões. De repente respirou com força e gemeu aliviada sentindo o ar puro em seu sangue.
- O peso desapareceu. Ela abriu os olhos e havia outro homem olhando para ela. Não o reconheceu e não se lembrava de mais nada.
O pai olhou assustado para a filha e perguntou:
- Ela saiu do buraco?
Arina balançou a cabeça e sorriu.
- Sim. Um homem a salvou. Ela está viva, mas não sabe mais quem é ou o que já foi. Tudo que sente é que precisa encontrar alguém, mas não sabe o porquê ou quem.
O pai balançou a cabeça para os lados e olhou preocupado para a filha. Já havia visto aquele olhar antes e não queria que tudo começasse novamente.
- Você não quer ir atrás dela, não é? – perguntou ele.
Arina simplesmente balançou a cabeça afirmativamente e disse:
- Preciso ajudá-la a encontrar este homem.